01 agosto 2009

João em - discurso - directo


- Estou ansioso por ouvir as canções de que falas: canções Pop perfeitas.
Até logo não vou ter oportunidade.
Já reparei que grande parte não conheço.

Curioso que ambos temos procurado respostas na música: recolhendo satisfação e procurando encontrar o limite do prazer da audição.

O meu exercício tem sido diferente, embora muitas vezes sentisse o mesmo impulso que agora de ti escuto.

Desta vez o desafio é outro: tenho pesquisado as origens; procurado o que provocou o que ouço.
O que serviu de pretexto às revoluções musicais.
Ainda vou recuar mais, mas para já passeio por finais de 60 até ao início do “Punk”, o seu contexto e desenlace.
Tem sido uma aventura divertida.
Em algumas situações a audição tem sido didáctica, noutras tem revelado seres verdadeiramente geniais.

Por vezes chateiam-me um pouco as divagações “estrumentais” carregadas de exibicionismo.
Aquilo que o “Punk” quis arrancar pela raiz.

Mas garanto-te, Nuno, talento sempre houve e génios são intemporais.
Incrível constatar como o “Indie” deve tanto a Nick Drake ou Scott Walker.
Ou então como já em finais de 60 havia quem preparasse terreno para o “Punk”, que mais tarde seria empurrado pela música inconsequente e entediante provocada, por exemplo, por uns Pink Floyd orfãos do génio de Syd Barrett.

Desperta-me curiosidade como começaram senhores como Brian Eno nos fantásticos primeiros passos de Roxy Music, ou Robert Fripp nos revolucionários - por vezes maçadores - King Crimson.

Não conhecia o Berlin do Lou Reed, nem nada dos Magazine, ou o início do Iggy Pop.
Mesmo os Suicide, X, Wire.

Muito disto só serve para encher chouriços.
Mas mesmo assim não considero o tempo por mal gasto.
Para além das preciosidades que se vão encontrado, fico a entender muito melhor a música pop como um todo; como um processo evolutivo quase “darwiano”, onde as transformações fazem sentido e todas as revoluções têm cabimento.

Por outro lado vai servindo para reparar como hoje em dia tudo é tão diferente: há muita maravilha por cá; mas sinto falta do desalinho, dos desafios às consciências, de revoluções sonoras e de atitudes.

Enfim.

Bem, já tudo isto vai longo: melhor é parar por agora.

Entretanto já ouvi o último dos Why?

- Ouve o "The Firts Days of Spring" de Noah and the Whale!

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