02 agosto 2009

Sim


As janelas adornam-se: voam a uma velocidade que
sendo insubmissa
provoca o encantamento de existirem como espelhos;
arrelvam nuvens; os lenços vermelhos envolvem a chuva:
cadastram cânticos, na cartografia dos seres desaguados
no vácuo dos olhos indolores.

Como recortam os vultos?

A glória do gelo não inundou os dias;
o silvo dos sinais omitidos
não permite vislumbrar como tremulam auroras,
engolidas pelo eclipse da ondulação adivinhada
dos teus cabelos
em barragens sonoras; vindima de tigres na tela de um vinho tragado
enquanto se choram as mãos desencontradas:
membranas de frutos: névoas paralelas a rios invisíveis
que te levaram.

Escutas ainda os passos que renderam o silêncio,
com vento sanguíneo, dos socalcos cristalizados
no granito emudecido pelos leves lamentos espreitados?

A madeira que se desintegra em cinzas,
acompanhou o colapso de um corpo despido de ti.

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