26 agosto 2009

Esta imperial é do Norte, carago!

Era dia 1 de Julho de 1998. Portugal iniciava-se no hábito dos festivais de Verão, ainda um pouco longe da avalanche de eventos do género que actualmente se verifica: Vilar de Mouros havia quebrado o longo jejum dois anos antes com Stone Roses e Young Gods; Paredes de Coura tinha acabado de dar dimensão internacional ao seu festival; Super Bock Super Rock reclamava para si o justo título de melhor festival de Verão ao fim de 4 edições; e o Sudoeste estava no segundo ano da sua aventura.
A Imperial resolvia meter-se na guerra das cervejas e concorria com o seu próprio festival: no ano anterior tinha atormentado a vida dos habitantes de Miragaia que reclamaram do barulho que se estendia pela noite dentro.

Nesse ano de 98 o festival Imperial ao Vivo tinha mudado para o então baptizado Rockodromo no campo de treinos do antigo estádio das Antas. Seria o primeiro de dois dias de um cartaz que contava com nomes como Nick Cave and the Bad Seeds, Pulp, Cornershop (que viriam a cancelar em cima da hora), James e os portugueses Xutos e Pontapés, Blasted Mechanism e GNR.

Por essa altura já eu era presença assídua nesse tipo de eventos: conhecia Vilar de Mouros e preparava-me para a segunda viagem ao Sudoeste. Graças a essa disponibilidade, ainda lamentava a minha ausência no ano anterior em Miragaia. Mas este já não perderia: era um dos que moldavam uma plateia pouco composta que aguardava ansiosa pelos Pulp – primeira e única vez em Portugal – e Nick Cave.

As recordações não são as mais nítidas, mas jamais esquecerei a actuação dos Pulp. Finalmente vivia em directo “Do You Remember the First Time?”, “Help the Aged” ou “This Is Hardcore”. Mas o momento alto desse concerto seria sem dúvida “Common People”: uma versão completamente contagiante que parecia evoluir numa espiral cada vez mais acelerada e aparentemente sem fim que deixou a plateia numa espécie de transe colectivo.

Seguiu-se o sr. Cave. Primeira vez que o via ao ar livre. Concerto dos mais fortes que assisti dele e a melhor interpretação que vi de “From Her to Eternity”.

A noite estava ganha com dois excelentes espectáculos, numa altura da história em que, apesar de tudo, ainda não abundava a oferta.

Seguir-se-ia Moby. Músico que desconhecia mas que sabia tratar-se de uma figura emergente da vaga electrónica. Género esporadicamente escolhido pelas organizações de espectáculos para fechar dias de festival. Uma prática que eu não apreciava particularmente: normalmente já estava cansado e sem paciência para este tipo de actuações que me pareciam invariavelmente aborrecidas e intermináveis.

Começou o concerto e rapidamente se percebeu que a intenção não seria só entreter gente sem sono e com genica para dançar. Embora eu estivesse numa idade que não foi capaz de fintar certos preconceitos e por isso com pouca predisposição para aturar o que eu imaginava que era a música de Moby, o facto é que não conseguiu deixar-me indiferente: actuação profissional e inesperadamente experiente; um som cheio complementado por guitarras e bateria. Tal como deve ser.

Saí das Antas com uma satisfação que ultrapassava as melhores expectativas.

O dia seguinte seria entediante e por isso sem história para contar.

Mais tarde ouviria falar novamente de Moby. Seria lançado “Play” que o catapultaria para a fama mundial. Fui dos que mergulhou nessa onda. É raro um álbum tão comercial e tão voltado para as massas cativar-me, mas “Play” enfeitiçou-me. Durante uns tempos sentia prazer quando o ouvia.

É certo que, apesar de uma carreira que reconheço como estando ao alcance de poucos, apenas esse concerto e esse álbum me faz elevar este músico a um patamar superior. Mas isso é mais do que suficiente para não faltar ao concerto no Parque da Cidade do Porto no dia 12 de Setembro e vê-lo pela segunda vez. Agora com mais conhecimento de causa.

2 comentários:

telheiro disse...

Boas, cá estou eu pela primeira vez no vosso interessantíssimo blogue!
João, não te esqueças das "cucas" à pala que ajudou a abrilhantar essa grande noite de 1 de Julho.:) Estava a trabalhar numa das barracas... ehe ehe
Nesse primeiro dia fiquei com muita pena de não ver os Cornershop, mas como dizes, o "Common People" dos Pulp foi inesquecível, um dos momentos musicais mais poderosos que me lembro de ter assistido...Grandioso.

Joao disse...

Ora viva Telheiro!

Ai agora já se pode dizer? É que na altura disseste para não contar a ninguém.

Evidente que não esqueço as cucas.

Bem-vindo e não te esqueças de voltar ;)