18 outubro 2009

Agent Ribbons @ O Meu Mercedes É Maior Que O Teu - 16.10.2009



As idas acidentais a concertos, podem proporcionar momentos teimosos: exacto; daqueles que teimam em apresentar-se únicos: recorrem nessa teimosia saborosa de ficarem espalhados por entre os grãos de areia que erguem as dunas cerebrais: e que mais uma vez teimosamente ficam sob a pele.

O Mercedes arriscou na apresentação: uma brevíssima saltada ao “myspace” e a decisão foi imediata.

Para início da noite, da grande Catalunha os ZA!, atiraram-se com entrega “culé” à estrutura do casario com uma sonoridade surpreendente e, abalaram-na significativamente.
Para descrever o seu som seria preciso recrutar aqueles especialistas que misturam adjectivos sobre géneros musicais até criarem um rótulo novo.
Não o sendo, socorro-me dos galegos “Los Resentidos” chamo “Catalunya Canibal” ao que pude escutar.

No entanto os 12 temas que o trio de Sacramento, decidiu oferecer a um espaço que ainda é o a “hell of a place”, onde se fuma (não exercendo, curto estar num sitio onde quase sorrio pela clandestinidade do acto) e onde há “Stout” que se bebe pela garrafa, formaram um espectáculo incrível.

Com Lauren Hess na bateria, ao fundo e sob fundo; Naomi Cherie, vigilante, com o seu violino, até se atrever a largar o palco e caminhar sobre o balcão, Natalie Gordon, descalça como veio ao mundo, esfrangalhou a alma e presenteou quem teve a benesse de ali estar com uma actuação memorável.
Com vestidos como indumentária, levaram um brilho intenso a um fundo de uma sala que possuiu encanto na penumbra que a envolve, adicionando-lhe como que uma aura invisível, envolta num ambiente sonoro tremendo, que apenas se sentia, num sentimento quase inexplicável.

Com uma guitarra azul clara levou “o” Agent Ribbons por uma viagem impressionante, por sons que se julgavam perdidos.
Um talento puro à solta por espaço que a partir de Sábado – porque já o era - se tornou ainda mais mítico.

Uma voz excelente, uma energia sem limites, vagueando entre a contenção e a exposição de uma alma que se apazigua com a criação de um som, onde a sublimação de uma paleta de influências desenha uma atmosfera densa e poderosa.

Para todos os efeitos a audição dos temas no concerto, foi o primeiro contacto com a sua obra.
Após a conclusão e a escuta mais tarde do registo até agora desconhecido – um grande trabalho sem margem para dúvidas – maior realce merece o que mostraram ao vivo: soberba a forma como foram transpostas para espectáculo as faixas do disco.

Alicerçada no álbum “On Time Travel and Romance” a actuação foi repleta de momentos altos a que o regresso exigido “que quase as fez chorar” composto por duas canções fabulosas: “Don’t touch me” e “The Boy With Wooden Lips”, garimpasse a poeira, que depois derretida, fez escorrer o ouro, para moldarem a chave que seguraram para encerrar a estadia em palco.

Descrevendo com genuinidade, como gostavam de ali estar; arrebatadoras, foram fazendo suceder à abertura com “The World Is A Cigarette”, entre outras “Birds And The Bees”, “Grey Gardens”, “Obituary”, “Chelsea, Let’s Go Join The Circus”, “Wallpaper” ou “Wood Yead Riffle”, como constava do “set list” manuscrito, na página de abertura de “A Tale Of Two Cities” de Dickens, que arrancaram, para o apontamento e, que no final tiveram a amabilidade de me oferecer.

A partir dai, aquela casa, puxou os galões – quantas canções marcantes ali foram encontradas, descobertas e revisitadas? - e atirou-se a um resto de noite que não merecia fim.

Qual o resultado de Catalunha, Sacramento, respirados com sons que o Porto adoptou como seus?
Estas imagens talvez possam ajudar.

2 comentários:

Joao disse...

Bom, eu não estive lá. Mas ouvi dizer que houve 3º espectáculo. Fora do programa.

Já tinhas ido embora?

Music Lover disse...

a 20minutes video from that great night!
https://www.youtube.com/watch?v=PIjm99v-pBg