18 outubro 2009

Joan as Police Woman @ Casa da Música - 17.10.2009

Ás de Espadas.


(Estas são imagens de Londres, um pouco próximas do que foi possível assistir no Porto - cá foi melhor, claro.)

Para que fique devidamente referido: Joan Wasser neste regresso a Portugal exibiu-se a um nível genial.

Joan as Police Woman fez de “Cover” a base para o concerto na Casa da Música e com um músico como Timo Ellis, pôde soltar a voz para interpretações impressionantes e, demonstrar uma segurança em palco, que lhe permitiu realizar um espectáculo memorável, alternando entre teclas e a guitarra.

Sempre que Timo Ellis assumia as guitarras ou o baixo, abandonando a bateria, era uma cassete “cuidadosamente preparada” que debitava sons de percussão: fantástico.

A abertura com “Ringleader Man” foi dedicada a Freddy Mercury: nos outros casos, os autores das canções eram identificados, enquanto as guitarras eram afinadas ou “alinhado” o suporte magnético.

Por entre os temas que compõe “Cover” iam desfilando alguns de outros trabalhos, tremendos – "To Be Loved” o segundo da noite e “The Sart of My Heart“ o segundo do “encore”, do trabalho anterior “To Survive”; “Save Me”, “Feed the Light” e “The Ride” do registo “Real Life” e também temas novos: Flash – muito bom; incompreendido pelo público, pode soar demasiado violento: não foi devidamente recebido: a canção e a interpretação foram soberbas.

Assim como “The Human Condition” que marcou o regresso, que como Joan sublinhou o publico iria pedir quando apresentou, a encerrar, “Sacred Trickster” de Kim Gordon, perante a falta de aplausos, que a autora merecia recolher, sobraram as palmas a acompanhar as de Joan e Timo que marcam a versão.
Já quando referiu Iggy Pop no ataque a “Baby” que “tanto desejava tocar como ele”, a reacção foi quase nula entre o público: desconhecimento? reverência? Prefiro optar pela segunda hipótese.

Na pausa entre os temas, o reforço ao valor do companheiro de estrada e de estúdio; a descrição das ganas com que agarrava o rabo que vemos na imagem de "Cover" nas sessões fotográficas, da viagem a centos tais pela auto-estrada, agradecendo terem conseguido chegar vivos; como se sentia "alive" em palco; comentários sobre o “inverno” que não o é em Portugal; pela beleza do Porto e da Casa da Música.
Referiu a grande amizade que nutre por Timo Ellis – mais que a cumplicidade que é notória e brutal, de facto surgiram pormenores que extravasavam a leveza em palco, como a forma como ele aconselhou a afinação do pedal da guitarra antes de desenvolverem uma nova interpretação.
Com amigos assim, para além de não se morrer na cadeia, podem-se partilhar momentos únicos em espectáculos.

A resultar melhor nos temas mais intimistas, a actuação foi perfeita no equilíbrio de estilos e desenrolou-se sem se dar pelo tempo.

Antes da referência final, uma mais para o sentido de humor apurado, com que conduzia os temas que apresentava, como foi o caso de pedir um pouco de luz para encontrar a fita adesiva negra, para de forma decidida segurar as alças rebeldes do vestido, senão para além de uma "cover" de Britney Spears, ainda haveria provavelmente um momento dedicado a Janet Jackson.

A reter um aspecto: a respiração ofegante, quase descontrolada que oferecia enquanto afinava a guitarra para cada música: perfeccionismo salutar, técnica para recuperar de uma entrega notável, aliada a um talento inquestionável, ou transparência de quem se expõe nos limites como o fez na noite de Sábado? Talvez todas as repostas possam ser possiveis, ou então "ambas as três".

Uma hora e meia de actuação, fechada com o momento da noite.
Se “Fire” de Hendrix foi extraordinário, “Keeper of the Flame" ultrapassou todas as classificações: puro magma.
Nina Simone não podia ter tido melhor homenagem.
Joan, que atingiu um brilhantismo técnico ao nível vocal, durante todo o concerto, aqui, superou-se: em definitivo.
Arrepiante.
Arrasador.
A execução de Timo Ellis durante toda a canção - com especial incidência no solo da guitarra acústica, pequeníssima, de quatro cordas – foi incrível: Joan sublinhou-o; o público respondeu com uma aplauso enorme, enquanto o tema retomava o seu curso como se nada se tivesse passado.
Mágico.
Inesquecível.
A superar o “pedido” aqui feito.
E na vénia final, a agradecer - o que no fundo deveriamos ter feito - a repetição do (des)(vis)lumbre do Ás de Espadas.

4 comentários:

Joao disse...

Mais um que fica para a próxima. Nem me ando a reconhecer de há uns anos (poucos) a esta parte.

Vanessa disse...

não percebo quem fica sem reacção apenas e só porque a vê a arriscar noutras frentes. no outro dia ela deu uma entrevista e pediu desculpa por já não estar infeliz, diz que as pessoas não entendem isso. na terça-feira foi mais ou menos assim... eu cá gosto dela de todas as maneiras.

e grande concerto que deve ter sido!!

rosa disse...

O video foi à vida, com pena minha porque não percebo muito bem o fenómeno Joan as a Police Woman. Também não gosto muito do amarelo, é certo.

;)

Nuno disse...

tenho de ver se arranjo alternativa ao video, porque é muito bom. quanto ao amarelo, também passo bem sem ele :)