29 novembro 2009

o poder e a glória da vizinhança dos sentidos


Esperar é muito pacífico, se comparado com vigília: aqui o orvalho que regenera, contém o fabuloso sentido de possuir lanças dentro: moléculas como fulcros; esmagando com a ausência; intensificando a proximidade de um contacto com as palavras puras, que só a música sabe despertar, sustendo a tensão, onde o brilho escurece toda a linguagem dos artesãos da luz esquartejada.

Não sabemos já, o que é luz ou a exaltação das sombras.

Num cosmos de labaredas as palavras estão nas mãos de uma dança, fresca arte de números, nome calcinado que não esquecemos numa outra interpretação do mundo.

Os flancos dos dias vão declinando enquanto mergulhamos, estremecendo com a alucinação que na ponta dos dedos, não mostra o fruto da exploração dessa matéria preciosa.

Agora sim devoro as palavras de quem acenderá a correria para onde o ar se torna clandestino: dedos; pálpebras; laços; água; constelações; mistérios desunidos: o medo também arrebata e não saber de ti não é ignorância.

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