30 dezembro 2009

Anos 00: balanço - Conclusão

Característica evidente deste balanço é que reflecte a óptica de um apreciador de Música. Sem qualquer outro tipo de responsabilidade, seja ela de divulgação ou de promoção de álbuns ou artistas. E sem contrapartidas em jogo, as únicas motivações têm a ver com o prazer enquanto ouvinte e a vontade de conhecer enquanto curioso. E nessas qualidades, este trabalho foi altamente enriquecedor.

A parte negativa deste facto é o pouco conhecimento de causa em relação a uma actividade que envolve criação, execução, produção, divulgação, venda. São por isso apenas opiniões de alguém que recebe a Música com disposição livre e apaixonada: já na sua forma acabada.

E para alguém que é apenas consumidor nesta cadeia, a sensação que fica é que o tempo deixou de ser a desculpa esfarrapada para justificar o pouco que se ouve graças à falta de dinheiro, para passar a ser a desculpa de facto para não conhecer toda a Música que se deseja. Tudo está para nós, ouvintes, totalmente disponível; só temos de encontrar a melhor forma de seleccionar e arriscar antecipadamente. Não ficar limitado à procura das poucas publicações de qualidade da área ou à espera dos poucos momentos de rádio que se aproveitam é sem dúvida uma novidade positiva para os apreciadores.

Para nós, público final, o acesso livre à Música através dos downloads ilegais é a grande transformação da década que, em contrapartida dificulta a escuta repetida e atenta devido à enorme oferta.

Na óptica do editor ou divulgador profissional será o ciclo em que se perde o respeito pelo trabalho do artista. Ou a época em que os downloads impedem que surjam ícones como os que se faziam há 20 anos atrás abrindo a tentação de escolher ‘Queens’ para capas de publicações da especialidade. Para já, penso não haver tempo para se concluir isso: a partilha de música tem pouco tempo e já nos anos 90 se sentia essa mesma dificuldade.

Estranho que não se sinta preocupação semelhante em relação a artistas que ganham notoriedade à custa de castings felizes e aparências agradáveis em detrimento daqueles que nascem com talento inato que, graças ao baixo interesse comercial que os agentes que gravitam em torno do negócio pressentem, vêem esquecida a justa divulgação e promoção do seu trabalho.

Toda esta ausência de obstáculos teve o efeito, como se disse, de deixar todos os que se dedicam sem tempo para ouvir tudo o que gostariam, pelo menos eu e provavelmente todos os outros interessados que não vivem disto. No entanto, há muito mais para conhecer e esmiuçar do que antes. E o drama não é só o tempo para conhecer tudo que nos interessa. Está também em apreciar, estudar e conhecer de verdade o álbum. Os tempos em que se comprava um disco numa loja, se admirava a sua capa e se ouvia durante, pelo menos, duas semanas seguidas acabaram. Hoje ouve-se música a correr, sempre com número infinito de outros ficheiros em lista de espera para serem apreciados também à pressa.

Se tudo isto dificulta a notoriedade das bandas? Talvez. Mas comparados com os obstáculos impostos por outros interesses que não os artísticos, estes são uma brincadeira.

E o que achará o consumidor a respeito das transformações que dez anos provocaram na Música? Na minha óptica não se poderá falar de verdadeiras transformações. Daquelas que rebentam com o que anteriormente existia. São já meia dezena de décadas de um mercado que não pára de crescer e a variedade do legado que nos foi deixado é suficiente, para já, para que se reinvente, para que se procure para trás o que está feito e se adapte aos novos tempos e às novas tecnologias do som. Hoje, mais que a instauração de uma corrente contestatária, ou mais do que mensagens de convite a um novo movimento, a preocupação é a da exploração da Música – também a popular – como uma arte com todas a legitimidades, com toda a potencialidade para cultivar a criatividade servindo-se do muito que nos foi oferecido pelo passado. Um herança devidamente lembrada nesta década por gente como Micah P. Hinson, Cat Power, Postmarks, Grant Lee-Phillips, Walkabouts, ou os inevitáveis Nouvelle Vague, que baseiam o seu projecto em trabalhos de versões.

Foi, para mim, exactamente isto que se passou: um ciclo sem necessidade de fracturas radicais como no passado, executado por uma sociedade domesticada e sem motivação para lutas. Um ciclo consciente da riqueza herdada e disponível para a reutilizar com os novos meios que a tecnologia oferece e com as ideias do nosso tempo. Até quando este lucro chegará é a pergunta que fica.

Motivação não parece faltar pela quantidade de novos projectos que todos os anos fomos recebendo e pelo número irrisório de desistências: as bandas sentem-se com espaço para durar, por norma.

Nick Cave, Sonic Youth, Morrissey, The Cure, Björk, Radiohead, Lisa Germano, Beck: todos eles entraram já consagrados. E acabam 2009 com currículo fortalecido.

Wrens, Sonic Youth, Portishead e Massive Attack tiveram presenças esporádicas.

Mogwai, Spiritualized, Lambchop, Bill Callahan, Bonnie ‘Prince’ Billy, Cat Power, Modest Mouse, Calexico, White Stripes crescerem durante os últimos anos e tornaram-se figuras de proa neste início de novo século.

Gravenhurst, God Is an Astronaut, Clinic, Sparklehorse, Archive, Piano Magic, Cinematic Orchestra afirmaram-se e contribuíram durante toda a década com a riqueza da sua música.

Outros ficaram a perder por não serem capazes de continuar o nível dos trabalhos do passado: Divine Comedy, Gomez, Mercury Rev, dEUS, Pulp, Lamb.

Outros ainda apresentaram-se de forma prometedora no início dos anos 00 mas que falharam quando chegou a hora da confirmação: Godfrapp, Day One, Zero 7, Anywhen, Gotan Project.

No entanto, os últimos 10 anos foram, principalmente, de quem nasceu e cresceu durante a década. De quem a caracterizou. 00 são os anos de, entre muitos outros, Elbow, Black Rebel Motorcycle Club, Strokes, Franz Ferdinand, Okervil River, Interpol, Walkmen, Stars, Shearwater, Killers, Camera Obscura, Clientele, TV on the Radio, Woven Hand, Why?, My Morning Jacket, Yeah Yeah Yeahs, Mountain Goats, Fiery Furnaces, Editors, Bloc Party, Decemberists, Grizzly Bear, She Wants Revenge, Animal Collective, Bright Eyes, National. Assim como de nomes a solo que hoje devem o seu peso ao trabalho feito durante a década: Joanna Newsom, Josh Rouse, Ed Harcourt, Sufjan Stevens, Patrick Watson, Badly Drawn Boy, Devendra Banhart.

Geograficamente, e sem motivos para alterações, os pólos de interesse mantiveram-se pela Inglaterra e Estados Unidos, mas com uma forte colaboração do Canadá, país já com tradição mas que nestes últimos anos sofreu um surto de criatividade e iniciativa verdadeiramente assinalável. Arcade Fire, The Besnard Lakes, Black Mountain, Broken Social Scene, Crystal Castles, The Dears, Destroyer, Final Fantasy, Frog Eyes, Godspeed You! Black Emperor, Handsome Furs, The Hidden Cameras, Holy Fuck, Hot Hot Heat, Hrsta, Japandroids, Junior Boys, Lightning Dust, The Most Serenade Republic, Mother Mother, The New Pornographers, No Kids, Patrick Watson, Pink Mountaintops, A Silver Mt. Zion, Stars, Sunset Rubdown, Wolf Parade são exemplos desse fenómeno.

2000 apresentou-se exibindo um naipe vistoso de novidades: Doves, Goldfrapp, Badly Drawn Boy, assim como anunciou a aguardada sucessão de “OK Computer”.

Terá sido um ano que não encontrou nível semelhante antes de 2004. No entanto, até lá foram postas as cartas na mesa e definidos os rumos que a segunda metade da década iria seguir. Entre 2001 e 2003 surgiram os Strokes, os Interpol, os Elbow, os Shins, os BRMC.

Para o fim estava reservado a avalanche de estreias importantes numa sequência – 2004, 2005, 2006, 2007… - que foi sempre aumentando de intensidade criativa.

Até chegar ao último biénio. Aí o esforço para deixar os 00 inesquecíveis foi determinante para o balanço de uma década que hoje se considera excelente. Primeiro os experientes, claro, em 2008; e finalmente a nova geração que preenche um ano de 2009 simplesmente fascinante e único se considerarmos os que a minha memória consegue relembrar.

A partir de 2004 a década disparou em interesse, como anunciei atrás. Muito por culpa dos Arcade Fire e TV on the Radio, mas que também lança às feras estreantes do calibre de Micah P. Hinson, Grizzly Bear, Franz Ferdinand, Pink Mountaintops, Editors, Magic Numbers, New Pornographers, Kasabian entre outros.

Apesar da ausência já aqui referida, de correntes novas que marcassem atitude refractária perante a vida e perante a Música que tanto nos entusiasmaram no passado, verifica-se agora uma completa exploração que resulta em qualidade de eleição numa década cheia que nada fica a dever às anteriores.

Tal como acontece na generalidade dos tempos e dos intervalos que nos ocorre delimitar, existem sempre as obras que ficam para a vida. E do ciclo em apreço, os álbuns de eleição são incontáveis: “Fleet Foxes” (Fleet Foxes), “For Emma, Forever Ago” (Bon Iver), “Touch Up” (Mother Mother), “Broken” (Soulsavers), “Ballad of the Broken Seas” (Isobel Campbell & Mark Lanegan), “She Wants Revenge” (She Wants Revenge), “The Early Years” (Early Years), “Funeral” (Arcade Fire), “All Dressed Up and Smelling of Strangers” (Micah P. Hinson), “War Stories” (Unkle), “Eskimo Snow” e “Alopecia” (Why?), “Secaucus” (Wrens), “The Hazards of Love” (Decemberists), “Lights” (Archive), “Ys” (Joanna Newsom), “Let It Come Down” e “Songs in A&E” (Spiritualized), “Turn on the Bright Lights” (Interpol), “Return to Cookie Mountain” (TV on the Radio), “Simple Things” (Zero 7), “The Opiates” (Anywhen), “Cast of Thousands” (Elbow), “Destroyer’s Rubbies” (Destroyer), “Illinois” (Sufjan Stevens), “Palo Santo” (Shearwater), todos dos Sigúr Rós, “Hot Rail” (Calexico), “Lost Souls” (Doves), “Internal Wrangler” (Clinic), “We Were Dead Before the Ship Even Sank” (Modest Mouse), “Felt Mountain” (Goldfrapp), “The Night” (Morphine), “Daisies of Galaxy” (Eels), “No More Shall We Part” (Nick Cave), “Is a Woman” (Lambchop). Mas a eleger um disco da década, esse seria. “Agaetis Byrjun” dos Sigúr Rós pelas razões já explicadas ao longo deste balanço.

Para uma banda da década, poderia eleger Spiritualized – responsáveis por dois álbuns do ano – se não houvesse o problema da regularidade, ou por Radiohead obedecendo à opção mais evidente e mais consensual dentro dos que partilham a Música que ouço. Mas, pela regularidade e quantidade de grandes discos, todos nesta década (ao contrário dos Radiohead que editaram os dois melhores durante os anos 90), optaria pelos Sigúr Rós.

Para os próximos anos espera-se com expectativa novas apresentações dos Fanfarlo, Temper Trap, Elvis Perkins, Soulsavers, Atlas Sound, Fleet Foxes, Noah and the Whale, Deerhunter, Lightning Dust, Heartless Bastards, Pink Mountaintops, Fever Ray, Big Pink, Edward Sharpe, Florence and the Machines Antlers, Mumford and Sons, Beirut, Early Years Cymbals Eat Guitars, Emmy the Great, Two Gallants, Earlies, xx, Passion Pit, Harlem Shakes, Miles Benjamin Anthony Robinson, Mount Eerie, Black Mountain, Alexi Murdoch.

Aguarda-se também por esclarecimentos de Sons and Daughters, Kasabian, Guillemots, Mother Mother, Bon Iver. Isto para além da curiosidade em saber se a mania dos supergrupos, por norma insossos, será para manter: durante os últimos anos nasceram Postal Service, Little Joy, Wolf Parade, Gutter Twins, Last Shadow Puppets, Dead Weather, Them Crooked Vultures, Swan Lake, Monsters of Folk.

É já depois de amanhã que começam os anos 10, e tudo leva a crer que a continuidade está assegurada por alguns que aqui foram referidos, mas também por outros que têm passado despercebidos ou que ainda conquistarão o seu tempo.

Uma última palavra de agradecimento para todos aqueles que tiveram a amabilidade de ler e comentar os meus textos com as suas opiniões. Graças a muitas delas foi possível estabelecer contacto com excelentes trabalhos que desconhecia. Termino a torcer para que alguém tenha ganho com algumas das minhas estranhas sugestões.

Ver também:

Anos 00: balanço completo

4 comentários:

pli disse...

João, começando pelo fim e, falando por mim, eu é que agradeço estes textos magníficos, que me deram a descobrir algumas preciosidades que me iriam de certeza passar ao lado. Cheios de pormenores entrelinhas, que sinceramente, dá pena por serem tão curtos :)

Dizer-te ainda, que em relação aos downloads ilegais, não penso ser o público consumidor o grande beneficiado. A música nesta última década deu um salto enorme, exactamente pela disponibilidade de tantos sons à distância de um mero click (aquela cena do anão aos ombros do gigante). Penso que quem faz música hoje em dia tem a grande possibilidade de se ir criando, crescendo, numa imensidade de sons que depois origina esta volumosa boa qualidade musical, cheia de detalhes absolutamente estrondosos, misturando influências e a partir delas criando outras novas. E quando o que é novo aparece em cima de todo esse legado já existente, então, para mim, dá-se mesmo uma transformação.
Já não se precisa também de um grande editor (nem de um estilo pessoal apelativo) para chegar ao público, a net é o espaço por excelência para se lançar num mercado que terá quase sempre um determinado número de consumidores que permitem outro tipo de sobrevivência, como os concertos e tudo o que daí resulta. Pensar que o sucesso do Beck começou na rádio da UCLA com cerca de 600 discos esgotados gravados pelo próprio, é uma brincadeira de crianças comparado ao fenómeno mundial por exemplo dos Arctic Monkeys pelo Myspace.
Sou totalmente a favor do ripanço desmedido, gasto o meu dinheiro nos concertos (e não é pouco), que de outra forma nunca teria a oportunidade de o fazer. Embora continue a gostar de ter os disco originais.
Animalejos como os X-Wife que fazem agora depois de conhecidos um discurso anti- ripanço por tudo o quanto é canto, sempre a choramingar pelos seus direitos, quando obviamente se eles não tivessem tido a oportunidade de ouvir tantos sons pela mesma forma, nunca fariam a música com a qualidade que fazem, dão-me nervos. por isso, também, gosto tanto do Anton Newcombe :)

Sobre o tempo e a pouca disponibilidade em conhecer verdadeiramente a música, apreciá-la no íntimo do que somos, como em tudo o que é inovador, vamo-nos adaptando às circunstâncias, falhando no início, melhorando aos poucos. Daí a importância aos comuns mortais de blogs como este, que de uma forma simples e apaixonada trazem até nós tantos sons diferentes e nos permitem caminhar um pouco mais em direcção àquilo que gostaríamos de ter. Uma espécie de crivo por onde nos aferimos e, assim, tentamos, com o que dispomos ter o melhor possível.

Quanto ao álbum da década, estou completamente de acordo contigo. Aquele álbum dos Sigur Rós não é terreno. Quanto à banda, já não sei se seria capaz de nomear alguma, porque não tenho a distância suficiente da música para a conseguir ver fora de mim. A música para mim é sobretudo uma experiência de sentidos ligada a momentos reais. Uma espécie de memória corporal capaz de transformar o real, ao mesmo tempo que o absorve para a própria música. E apesar de concordar com tudo o que aqui tens, há um que não poderia deixar de passar nestes anos. Talvez não seja bem a tua onda mas, NIN, neste anos foram uma coisa fabulosa, quanto a mim sempre a crescer, não só na música mas nas formas inovadoras de chegar até ao público.

Desculpa lá o tamanho do comentário, é uma forma de te dizer obrigada :)

Joao disse...

Pli, :)

O tamanho do comentário está perfeito :)

O álbum e banda da década é apenas um preciosismo. Não dou muita relevância. Mas, atribuir esse título a alguém, só poderia ser Sigúr Rós: 3 de 4 álbuns fabulosos durante a década. Mais ninguém conseguiu tanto.

Quanto a NIN: já ando para os conhecer melhor há muito, falta de disponibilidade e preguiça tem adiado a intenção que não está esquecida. Mas caramba, quando penso em NIN lembro-me sempre dos Marilyn Manson e fico logo desmotivado: julgo que estouraram na mesma época, não?

Em relação à disponibilidade, perfeitamente de acordo contigo. Foi um desabafo acerca de uma dificuldade que sinto de momento, mas que se resolverá com o tempo.

Agora os grandes beneficiados dos downloads: acho que o público é dos mais beneficiados, mas não são os únicos (devia ter tido mais cuidado nessa parte). Aliás, na introdução a este balanço foco a vantagem para as bandas destas novas características do acesso à música: a escolha passa a ser mais livre, com menos intromissão de interesses comerciais e por isso uma selecção mais próxima da justiça, com os melhores a serem recompensados exactamente aí onde dizes: concertos. Os prejudicados são todos os que gravitam entre os artistas e o seu público, que não são poucos, como sabes. O exemplo do Beck vs. Arctic Monkeys é esclarecedor.

pli disse...

:)
penso que foi o Trent Reznor que lançou ou produziu o primeiro álbum deles, qualquer coisa assim, mas, depois zangou-se logo com eles por causa do tipo de linha merdosa que seguiam.
Mas, caramba, não têm nada a ver. Que sacrilégio ;) NIN é estímulo puro injectado na veia, uma pulsão animal, quase pletórica. Disrupção acesa por dentro. Tem muita coisa que é medíocre por causa do tipo de som electrónico com muitos baixo e porque os álbuns têm muitas músicas, também é verdade: mas, o que é bom, é mesmo bom.

E tens razão claro, quanto ao público, no fim de tudo é quem mais ganha. È só porque me irrita às vezes que a maioria das pessoas não perceba (não tu) que este acesso à música é o que tem feito dela tão grande nos últimos tempos, que os próprios músicos são também os grandes beneficiados desta liberdade ilegal, era mais por aí.

Nuno disse...

"A means to an end" - ou como o titulo de uma canção que poderá ter começado tudo isto, faz desta conclusão algo que ainda vai ter o seu início.
"Confusos?
Deixarão de estar nos próximos episódios de", certo, João.
A não perder o lanço.
Valeu o esforço - da realização - porque na leitura ele não existiu.
Muito bom o que permitiste aceder.