14 março 2010

Owen Pallet @ Aveiro - Centro Cultural e de Congressos





Owen Pallet

Centro Cultural e de Congressos de Aveiro

2010-03-12


Owen Pallett é um violinista exímio; um compositor notável; um músico brilhante.

Ao terceiro álbum que edita retornou a espaços portugueses para mostrar maior maturidade, sem perder uma nesga da simplicidade em que se baseia a sua obra.

Depois de uma presença dupla no Teatro Maria Matos, em Lisboa, a deslocação a Aveiro, a uma sala perto de esgotar, com excelentes condições para realização de concertos: visibilidade impressionante e acústica de muito bom nível.

O argumento foi a apresentação de Heartland, mas a prestação visitou os seus anteriores registos, desta vez com a companhia de um “performer” desatinado – Thomas Gill - com um talento incrível e uma presença em palco tremenda.

Quanto a Owen Pallet, após colaborações com Arcade Fire e Broken Social Scene, entre outros, durante uma hora – o tempo estaria contado para uma viagem para a Alemanha, como se tivéssemos muito a ver com isso - evidenciou uma evolução muito bem sustentada, com um crescimento significativo desde o já excelente espectáculo na Casa das Artes de Famalicão em 2006.

Com uma primeira fase, só, em palco, com o seu violino, pedais, loops e teclas como acompanhamento, a discorrer canções muitíssimo bem construídas e com agradecimentos a pontuar o decurso dos temas, até uma maior libertação após a chegada de Thomas Gill, com a sua guitarra, voz, assobios e o acto de “hit things”, percussões de base simples, e movimentos corporais perto do hilariante.

O seu mais recente trabalhou reuniu aparentemente mais meios de produção mas o formato da sua apresentação, repetiu os mesmos elementos de suporte, em que a técnica de “geração de loops” dão dimensão a um corpo musical de uma forma interessantíssima, envolvendo-se com uma vez que faz da sua fragilidade força.

Beleza que afasta toda a suposição de monotonia, um violino que se sobrepõe a uma voz totalmente adequada à sonoridade e a fazer com que a actuação pecasse apenas por ser curta, mas nestas coisas conta muito mais o que se escuta do que a probabilidade do que eventualmente pudesse ser ouvido, ou simples desejo de algo mais ser presenciado.

Manuseado de forma brilhante, o violino, batido e abanado, dedilhado ou trespassado pelo arco, escrupulosamente limpo no inicio da actuação, inventivo e criativo, encarregou-se de o demonstrar à audiência, que se rendeu a cada tema.

As referências tinham que existir e, podiam passar por um John Cale em fase de arranjos crus e directos, até um Vinny Reilly não tão fechado.
A beleza e a alternância de ritmos e técnicas de suporte, mantiveram a actuação sempre em nível elevado e explosão suspensa.
Ainda houve hipótese de visualização escutada de um excelente tema novo, e de um encore com dois temas já sem a companhia do desatinado de aspecto lunático, que tanto brilhantismo tinha cedido à actuação, que começou em toada lenta, com temas nesse ritmo e não se cansou de crescer.

As histórias de queijo-dependência deram lugar a sumo de tomate ou algo parecido.
E a ameaça de danos cerebrais com o contributo de Thomas Gill, afinal não passou disso mesmo.

A subtracção de Final Fantasy, permitiu um produto repleto, sem leis de anulamento.

Um homem praticamente só em palco, minimamente comunicativo e que deixa que a música fale por si.
Um violino e pouco mais: que era tudo.
Nada dolente.
A simplicidade - tão difícil de atingir - que há 3 anos e meio, já o tinha sido, esta sexta-feira em Aveiro voltou a permitir-se por lá muito perto.

2 comentários:

1entre1000's disse...

aaaaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrgggggggggggggggghhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

Nuno disse...

santinho! :)