05 maio 2010

ode








( imagem daqui )


Provas a falta da membrana que outrora te cobria, a graduar a carne no asfalto ou na terra que se bateu, em incandescência; abdicas dos enviados ao trecho dos demónios, aí se tornam as estradas interrompidas para os corpos se extenuarem; ainda; mais: consumindo-se.

Há vinho tragado; declinado de mãos que sabiam que o néctar, em assumpção, só é transvasado por lábios que não se conheçam.
Apenas assim: quando a pele se torna eruptiva, tocada por mãos procuradas, decidindo-lhe a existência como inverosímil.

Fantasmas; monstros; criaturas saídas do sono, expulsas por documento régio, absolvidas por patriarcas da dor, que de mim te levaram: resististe-lhes: cedi – vendo-te – não os ordenar a retornar-te.
- Sabes: fazes-me falta - mentias, despudoradamente e preferias adquirir esse conhecimento trabalhando a soldo do que te negavas.

À ânsia por palavras que não deixei de dizer – garantidamente não tinha feito: ou comandar-me-ia a demência em ascensão: paradoxo inerente?
Talvez: como chãos que se desintegram; clareiras que te dilaceraram: não as preenches; não te absorvem, canções levadas: fugiram; com vozes sob o domínio do sonambulismo: sem pátria.

A semântica das cores aspiradas por ruas que me tracejavam a certeza de saber que não as tinhas percorrido, e que ainda assim lhes procurava atingir o fim contando contigo contida num dos seus elementos que ratificassem os teus passos: divindades da sedição rumo ao desassossego.

Como as cordas que te golpearam a memória sem marés que te devolvessem a olhos surdos; gritos que se desejavam lavrados pela agitação de sinalizadores da passagem de tempos onde o modelo de ardor atingisse a complexidade de seres em recessão emocional.

Requestar um santuário de felicidade acreditada, gangrena em evolução, repulsa por beijos no declive da asfixia: arribas condutoras a gargantas encantatórias: as serpentes esboçam espaços que de trilhos firmes apenas possuem luz ficcionada.

Querias-me lar e apenas me via nómada coberto de canções de vontades por determinar, não vias braços inertes nem infertilidade de ventos em cedência a chamas cuspidas por crateras que me engoliam: não se espalha sal no significado de mares espreitados com sangue derramado sobre um rio que te gerou.

Na cidade que se apartava de luz, era exalada a dúvida sobre que rua escolher – alas que se alongavam; sem controlo - o intervalo cedia ao rasto da tua passagem: não foi apagado por veículos opressores, agora elevatórios da esperança por um sorriso silencioso, porque por ali não demandaste na travessia pelos pólos que cativam o espírito sem possibilidade de ocultação.

Deito-me sobre o teu corpo e não te toco, ao olhar inclinado para trás nego o meu: vêm-se as serras que alcanço depois de te percorrer: vislumbras sol no cume: há os teus dedos no sopé: vincas-me: pregas-me o tronco e devolvo-te o espasmo: o grito aprisioná-lo-á: roubando a força com que o não consegui soltar.

Rodeiam-te as vozes, espelhaste-te no movimento fugaz que percorre vias comunicantes que me estagnam as palavras desejadas; escutadas sem fim e, que a velocidade dos recontros não dava tréguas, porque a resposta, essa, jazia adiada nos olhos raiados por sovarem muralhas que não lhes permitiam guarida.

A cada convulsão mais escondida te significavas: se uma chama se elevava, estéril se tornava, através do sopro, surgido num ápice que desfiava a gestação de fenómenos incontroláveis.

Transformava-se em oração, a falta da colisão fulcral das palavras que me dirigias, sobre o que por ti sentia: como se fertiliza a crença que não se quer agarrar?

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