25 outubro 2010

até as sociedade mais primitivas admitem os seus loucos 20101025

Quando se alinha música há muitas variáveis em causa: mas há uma que poderá ser um factor diferenciador: a emocionalidade com que as várias canções ou peças se interligam: como uma sequência aparentemente sem conexão mas detentoras de um pulsar a que a redundância, de imediato, coloca aqui, a palavra orgânico.

Dão uma lógica à ordenação com que se vão desenvolver, mesmo quando possa haver uma faixa que não nos soe tão forte, faz sentido estar ali - antes da que lhe sucede ou depois da que a precedeu, abrindo-se e fechando-se - sobre si ou não - sem se tornar demasiado perceptível.

Aos solavancos, pela imprecisão das formas como foram desenhadas, mas envoltas pelas circulares da perfeição onde se inscrevem, como se a depuração da escuta as pudesse fazer viver de uma matéria que não ousa inverter-lhes o eixo, que as içou da génese até ao decalque dos sentidos.

Arrancando rótulos à dentada para os cuspir antes que o veneno actue, os círculos da significância ganham terreno a si próprios e quando menos possível o pensavam: a implosão de normas acontece com uma espantosa naturalidade, a formatação da produção e composição a régua e esquadro é liminarmente substituída pela incrível firmeza do traço a mão nua, de bisturi em punho: o tecido nervoso é deslindado, o caminho oculto rumo à galeria dos momentos preciosos, desbravado sem a menor dificuldade: por inerência.

Há um caos que por vezes prevalece, menos do que as que desejamos: vagueia dentro de si próprio ou está aprisionado a rituais de causas desconhecidas, imune a um ciência que teme aplicar métodos demasiado rígidos me a objectos com contornos voláteis, como apenas as canções o sabem possuir.

Há canções que escutamos durante uma vida e nem assim as conhecemos: outras foram abordadas em ocorrências quase nulas e convivem entre elas e connosco, sem peso: com volume indefinido: sem os desmandos de uma ditadura de gostos, em que os conceitos que prevalecem são o da descoberta, da activação de memórias e o da entrega sem receios a sonoridades comunicantes com os vasos que nos sustentam.

Os pressupostos que levam à elaboração destas “sessões” do “até…” são todos estes: o fundamental: o tê-lo feito: assim: para todos efeitos uma extensão de escolhas para auto-consumo, sem pretensiosismo nem imposições, e que cada escuta que façam me torna um privilegiado, na exacta medida em que também o sou quando noutras partidas descubro os sons que recusam a estagnação dos sentidos.

01 Desert Shore - Mojave mirage
02 Wyatt, Atzmon, Stephen - Lullaby for irena
03 The Lost Trees - The past is a grotesque animal
04 The Black Heart Procession - Witching stone
05 Warpaint - Majesty
06 David Sylvian - Pure genius
07 Love Like Fire - Dust
08 Liars - Proud evolution
09 Vic Chesnutt - Flirted with you all my life
10 The Strokes - You only live once
11 Wyatt, Atzmon, Stephen - The ghosts within
12 Mary Gauthier - Blood is blood



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