16 dezembro 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20101216



o nome para este espaço foi capturado num poema de Manuel Gusmão.

mas não o vou escrever: aguardo que o enviem, pode ser?

fica o desafio para a ousadia da (re)descoberta consoante o caso.

os sons são para escutar "entre nós e as palavras".



Para levar: just press the eject and give me the tape

01.(genérico)
02 Sétima Legião - Pois Que Deus Assim O Quis
03 Shady Bard - Night Song
04 Tom Waits - Lost In The Harbour
05 Codeine - Sea
06 Angus And Julia Stone- My Malakai
07 The Dream Syndicate - Bullet With My Name On It
08 Lost In The Trees - We Burn The Leaves
09 Love And Rockets - Haunted When The Minutes Drag
10 The Inocence Mission - Gentle the Rain at Home
11 Bonnie Prince Billy - Death in the Sea
12 Bodies Of Water - Water Here
13 Big Blood - Low Gravity Blues
14 A Silver Mt Zion - The Triumph of Our Tired Eyes
15 Shady Bard - Trials
16 Bowerbirds - In Our Talons
17 Sophia - The Sea
18 The Waterboys - This Is The Sea

"[...]É - dizes assim, sempre à espera do que virá - É como se
agora uma radiação fosse que te queima a garganta e a língua
lancetada, o nervo óptico e a córnea gelatinosa, os polegares
os indicadores e os anéis que lhe roubaram, cortados.
Ou dizes: Então - como se pudesses contar o que não tem conto
nem medida - Então, no cérebro do vivo, a imagem começa
a gangrenar, e contamina as árvores do mundo exterior
e a incerta geometria das águas.

Foi então que os desertos se terão posto a caminho
movendo consigo a noite da sideração constelar
como uma maré lunar que duna a duna começasse a escrever
no corpo do ar o dorso de um animal de fogo: assim.
Assim começava a impossível viagem de regresso
ao nascimento, como um afogamento solar, como
um afogamento ao contrário, de onde a árvore incendiada subisse
e só então os pássaros começassem o trabalho da manhã.

Na partitura constelada os desertos escrevem o canto
a metamorfose das dunas sob a pedra do céu; e sonham.
Longamente sonham as nuvens em grandes migrações
que desenham o fluxo e o refluxo do mar oceano.
Os pássaros apenas começaram o seu trabalho
e já no ar se dissolvem
como se fossem a folhagem ininterrupta e alucinada
das palavras.

O amanhecer no deserto é um cristal de rocha
um planeta hialino que rodando velozmente voasse
e como um vento ou uma seta de gelo ateasse o fogo
nos corredores da biblioteca assassinada: Uma floresta sonora. [...]"

6 comentários:

p disse...

"a incerta geometria das águas":

às vezes, só às vezes, sabemos. que o mundo inteiro é capaz de ser "o lugar de todas as coisas". depois, talvez, já possamos morrer.

( )

Vanessa disse...

mas que bonita lição de poesia tive eu aqui. :)

Nuno disse...

( ) & ( )

Anónimo disse...

"De repente a noite rasga-se e surge uma praia
em que os corpos estonteados acordam
a boca encostada ao mar superior que folheia
o ar que a respirar obriga e bate e canta."

:)

Nuno disse...

como se oferenda um anónimo? :)

Anónimo disse...

Da mesma forma como aqui cheguei: ousando redescobrir a boca encostada ao mar superior.

:)