26 dezembro 2010

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20101226



( imagem de Ansel Adams, via JT )

ou

"a maneira de andar na escuridão sob as gotas" HH

00 Genérico
01 Crevecoeur - We Leave the Ranch
02 Elysian Fields - Mermaid
03 Other Lives - Black Tables
04 Arborea - Dance Sing Fight
05 The Black Heart Procession - Blue Tears
06 Joe Henry - Beautiful Hat
07 Cymbal Eat Guitars - And the Hazy Sea
08 Port'O Brien - Fisherman's Son
09 Trespassers William - What Of Me
10 Asaf Avidan and the Mojos - Turn Of The Tides Under The Northen Lights



Ela disse: "‎invisível como o vento, uma força que impede o virar para trás.
Olhas a terra mas já não a tocas ,dela só o pó que seca os lábios.
Grave essa força ,arrasta cada vez mais do lugar onde o homem vive." (CM)

- de onde vêm estas palavras?

- "sabe-se lá de onde: cuspo-as assim que posso, evitam o vómito filosofal que todos odeiam." (CM)

"Ela disse: porque os vestidos transbordam de vento.
A pintura nos vestidos dá a volta anatómica das cores,
respiram. Que a estrela corra cheia de espuma com toda a força
para trás demorando o movimento da graça,
omoplatas,
e depois desarruma-se tudo para dentro dos olhos.
Então a gente sopra, ela disse que a exultação mantém em suspenso
o poder das lágrimas." herberto helder

"[...] o caos nunca impediu nada, foi sempre um alimento inebriante.
O homem não é uma criatura entre mal e bem: falava-se com Deus porque Deus era a potência, Deus era a unidade rítmica.
A mão sobre as coisas com vida sua, com essa mão reunir as coisas, refazer as coisas - cada coisa tem a sua aura, cada animal tem a sua aura, como se pastoreiam as auras!
em transe: eu sou a coisa. Acabou.
Sento-me a conversar com Deus: palavra, música, martelo
uma equação: conversa de ida e volta.
Depois há gente que fala entre si, depois é o medo, depois é o delírio.
Escuta a breve canção dentro de ti. Que diz ela?
Não move as coisas com as suas auras, nem tu nem a tua canção
pertencem ao mundo cheio, alma que sopra.
Nada se liga entre si, Deus não se debruça na canção; destroça
a cadência.
- o demoníaco. Já se não vê um degrau
arrancar outro degrau pelas lentas escadarias de mármore ao fundo.
A canção abandonou o seu espaço contínuo. [...]" herberto helder

"Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?" Eugénio de Andrade (via V)


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6 comentários:

cristiana disse...

é "alimento inebriante" e aqui "a canção (não) abandonou o seu espaço contínuo"...

Nuno disse...

por mais que seja difícil prendê-la a uma definição de espaço e dimensão. obrigado pela leitura, escutas e comentário :)

vanessa disse...

em todas estas listas existe sempre um nome - uma canção - que se destaca aos meus olhos e ouvidos. desta vez foi elysian fields. :)

e lembrei-me disto:

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?


(Eugénio de Andrade)

beijo*

Nuno disse...

é do primeiro - fabulástico - álbum deles, que fizeram o favor de me assinar no showcase da fenáqui do marshopping: não poder ir vê-los a espinho foi demasiado grave: banda de eleição, de uma simpatia e simplicidade desarmantes: bem capturado, vanessa.

As palavras de eugénio de andrade assentam como uma luva ao diálogo de cristina monteiro com herberto helder que tive a felicidade de "coordenar": e com um post está sempre em construção: vão lá parar.

obrigado.

beijo

rosa disse...

Foste realmente muito feliz, gostei muito.

Desenhasse melhor do que gatafunho e ia já desenhar umas omplatas a desarrumarem-se para dentro duns olhos.

Nuno disse...

obrigado rosa: que bom e ainda bem :)

desenhasses ou não, fico à espera desse gatafunho, sobre estas expressões do fogo e "canto e o gelo"