02 maio 2011

até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 20110502



( imagem daqui, de Miguel Marecos )

PARA GUARDAR EM MP3

00 (genérico)
01 Madrugada - Only when you're gone
02 Cassandra Wilson - Vietnam blues
03 Konstantin Gropper - Good Friday
04 Laura Veirs - Magnetized
05 Bill Callahan - River Guard (daytrotter session )
06 Jolie Holland - Old Fashioned Morphine
07 JBM - In A Different Time
08 Steve Adey Find The Way
09 Clogs - Last Song
10 Thomas Feiner- For Now
11 Okkervil River - So Come Back,I Am Waiting



A respiração da imagem está queimada mas os traços da alvorada dos sentidos mantém a densidade que a anatomia da intermitência invadida por vento não permite apagar.

Embalo o apaziguamento que as ideias resvalam e rendo-me ao alvoroço de uma cabeça a esbater-se num ombro para que os troncos se espraiassem escutando as vozes do apelo à suspensão das horas, ignoradas por murmúrios que o despertar adiado permitia à liberdade das estrelas que iriam mergulhar nos braços, onde a luz respira e há uma força que empurras e que tiro e movo para mim.

As tardes em que os contornos do teu rosto eram percorridos pelo s lábios a que virias a deixar de chamar teus, tornam-se perceptíveis, inundando memórias até à desejada exaustão: porosidade repleta: na exacta proporção em que cada ângulo formado pela sobreposição de olhos de fogo em contemplação.

Que elementos convocas quando observas a movimentação dos cenários devolvidos por espelhos de chuvas dos meses que te esperaram os passos? – há animais inverosímeis que repercutem ânsias de reencontros com o espanto que nunca voou de ti: reverbera-te o nome, reflecte-me a crença, perante o esbatimento de uma presença fátua, submissa à fertilidade da ausência.

Os sons, esses nunca serão de um outro tempo, porque a cartografia da cor de uns lábios gémeos de magnólias sob sóis alinhados, não será revelada, apenas para que sejamos detentores de um intervalo que contém um espaço onde a combustão se desenha pelo ponteado aleatório, por mãos cruzadas na fronteira de cada dedo, em incandescência, num tempo diferente.

3 comentários:

gingerandclove disse...

( )

rosa disse...

E ainda bem que há sociedades assim porque está tudo muito bonito.
Gostei muito da música de abertura e imagino com um thomas feiner pelo meio o restante estará ao mesmo nível, vou ouvir.

Nuno disse...

( )

rosa: obrigado e boas escutas ( o thomas está num patamar ... diferente ;)