24 outubro 2011

Até as sociedades mais primitivas admitem os seus loucos 2011.10.24


(c) Paulo Nozolino

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01 The Boxer Rebellion - Both Sides Are Even
02 Madrugada - Shine
03 Other Lives - Desert
04 Kwoon - Bird
05 Surface Of Atlantic - The Great White
06 Strand of Oaks - Sterling
07 Bill Callahan - One Fine Morning
08 Jesse Sykes - Be It Me Or Be It Done
09 Beth Gibbons - Sand River
10 The Walkabouts & Tindersticks - Velvet Fog
11 Death Cab for Cutie - Transatlanticism
12 Madrugada - Majesty

"As palavras movem-se, a música move-se
Apenas no tempo; mas o que apenas vive
Apenas pode morrer. As palavras, depois de ditas,
Alcançam o silêncio. Apenas pela forma, pelo molde,
Podem as palavras ou a música alcançar
O repouso, tal como uma jarra chinesa ainda
Se move perpetuamente no seu repouso.
Não o repouso do violino, enquanto a nota dura,
Não isso apenas, mas a coexistência,
Ou digamos que o fim precede o princípio,
E que o fim e o princípio estiveram sempre ali
Antes do princípio e depois do fim.
E tudo é sempre agora. As palavras deformam-se,
Estalam e quebram-se por vezes, sob o fardo,
Sob a tensão, escorregam, deslizam, perecem,
Definham com imprecisão, não se mantêm,
Não ficam em repouso. Vozes estridentes
Ralhando, troçando, ou apenas tagarelando,
Assaltam-nas sempre. O Verbo no deserto
É muito atacado por vozes de tentação,
A sombra que chora na dança funérea,
O clamoroso lamento da quimera desconsolada.

O detalhe do molde é movimento,
Como na figura dos dez degraus.
O próprio desejo é movimento
Não desejável em si;
O próprio amor é inamovível,
Apenas a causa e o fim do movimento,
Intemporal, e sem desejo
Excepto no aspecto do tempo
Capturado sob a forma de limitação
Entre o não ser e o ser.
De repente num raio de sol
Mesmo enquanto se move a poeira
Eleva-se o riso escondido
De crianças na folhagem
Depressa, aqui, agora, sempre-
Ridículo o triste tempo inútil
Que se estende antes e depois."

T.S. Elliot

2 comentários:

rosa disse...

Por falar nisso, adorei o último do Woody AlLen. Estou desejosa de ir a Paris, sentar-me numa escada à meia noite e esperar por um carro que passe a abra a porta.
(nuuuuuuuuuuuuuunca mais a viu.)

;)

Nuno disse...

:)

é bom? tenho de ver, então.

esse poderia ser um belo de um começo, de uma história, rosa ;)