23 outubro 2011

"Tira;rasga;veste: a pele - e exibe a metamorfose com que abandonas o mundo"



(c) sebastião salgado



- como te ergues quando te fazem cair?
- como te despenhas quando pensas ter as impurezas do escuro rendidas a um olhar cristalino?
- como respiras sendo refém e te moves clandestina?
- onde fica o Outono se Janeiro invade a tua noite e os poros chamam por Maio e mergulhas nas chamas de um Julho que fez nascer o que amaste ?
- como?
- ameaçaram-te o voo quando apenas espreitavas onde querias os teus passos seguros, declinando a ilusão e dispensando tudo o que te queriam a ver, quando escutar a minha chegada era uma partida dos medos, não foi?
- dás-me a mão?
- a tua pele queima: a minha só se aproximou e agora arde: rasgar é um abandono e a sincronização do mundo uma guitarra que não encontra o cântico que desbrava a arqueologia das camadas que soletram o desejo.
- a ânsia abandona-se membrana, vestes-te menina e avanças no tempo com o manto do som que te cantou a leveza que a erosão conquistou: querias a simplicidade na ponta dos dedos quando os tocasse e lhe invertesse o movimento para que o teu rosto conhecesse os meus e tudo te fugiu.
- agora o espaço espera-te quando chegas às paredes brancas e as transpões na metamorfose dos sentidos, que não foram levados como pensavas, quando tiraste a pele, que visto, lá dentro, sempre que te deitas com o meu nome e acordo com o teu.

1 comentário:

Carla disse...

e assim se dá vida às palavras :)