16 novembro 2011

manhã abraçada


(c) Jon Gibbs

O excesso da duração das noites não esbate a nitidez de um rosto que envolveu o dia,

que consumi sob a escuta de uma voz incrustada num manto de sorrisos,

que acelera as partículas que movem o tempo entre as nossas mãos que se adivinham.



Nas manhãs que percorro, és-me:

mostrada na chuva reflectida em cada braço de árvore que filtra o sol que me chama.



Escuto-te quando o murmúrio dos rios abraça as cidades nas paisagens transformadas

em teatros em chamas e submersas pelo teu vento que os meus olhos não abdicam.



Os sentidos à deriva apenas capturam a interminável projecção dos limites do teu

corpo na rendição do meu.

1 comentário:

Carla disse...

manhãs que polvilham sal pelas palavras