21 dezembro 2011

as vozes que não apagam os percursos


(c) Ralph Gibson

falas de um trilho em que me perco para me saberes.
mantém os olhos cerrados: dizes-me; e fazes-me percorrer-te para que as distâncias se desfaçam e tornem permanentes os ecos da tua voz, com aroma
das correntes do vento que me sopras, fechando os lábios que se aproximam e
traçam definições de astros que nascem quando te espalhas: recebendo-os na
amplitude destes braços:voo e espreito-te em jardins onde a luz se
consome dando cores inimagináveis a um ecrã branco, sob o movimento da mão
que me levou, na vertigem que abraça a origem do sentido que te quero entregue:
ao que és. impedes-me que durma e levo-te a planícies onde há pássaros que se deitam nos rios que as montanhas abriram, acolheram e afastaram, numa lentidão específica; como numa simetria, com que aproximo; guardo e solto, os teus cabelos na mão e a estendo no espaço onde a tua desagua e percorre a canção que submergiu e elevou os passos que te tornam presente.

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